BEM VINDO(A) AO EGBR, PRIMEIRA E MAIOR FONTE BRASILEIRA SOBRE EVA GREEN, ATRIZ FRANCESA CONHECIDA POR PAPÉIS EM THE DREAMERS, 007 CASINO ROYALE E NA SÉRIE PENNY DREADFUL. AQUI VOCÊ ENCONTRARÁ NOTÍCIAS, ENTREVISTAS E MAIS!
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Pouco conhecida na França, a filha de Marlene Jobert conquistou Hollywood. Ainda, que incorpore a femme fatale, se diz tímida e até mesmo confessa o desejo de solidão.

Uma aparição. Desprovida do lado de estrela que procura agradar. Eva Green é misteriosa involuntariamente. << Eu venho de outro planeta >> ela se desculpa. Os olhos de um azul abissal lhe atestam. Ela veste preto, anéis sagrados, botas corsário, mas é muito gentil. Foi uma Bond Girl superior (A única que enlouqueceu o agente 007, de Casino Royale), foi Vamp e vampira, vestal, bruxa, amazona, médium (na série Penny Dreadful), é um caso: Uma atriz francesa que conquistou Hollywood, sendo quase desconhecida na França. Ela fala rápido, se desvaloriza tão facilmente, que se irrita. Uma pequena criatura selvagem, <<filha de Marlene Jobert>> que cresceu nos belos quarteirões, perto do parque Monceau, em Paris, leva uma vida reclusa em Londres. Hipersensível, ela parece se subtrair, a tudo: a cidade, as mundanidades, sua imagem. Mas, sonha ao mesmo tempo, em interpretar <<Uma guerreira fervorosa, como Joanna D’Arc>>. Ela não tem realmente idade, ela aprende todos os dias, a se conhecer.

Você está atualmente filmando o novo filme de Roman Polanski…

É um segredo claustrofóbico, adaptado do romance de Delphine de Vigan, D’après une histoire vraie. Um livro mental, perturbante, feito para Polanski. Eu mesma estou um pouco perdida, porque muda as cenas diariamente, testando várias pistas. O filme está em sua cabeça. Eu interpreto a amiga muito ambígua de uma escritora, que é interpretada por Emmanuelle Seigner. Uma espécie de dupla, da qual nos perguntamos se existe ou não. Um papel muito complicado…

Como ele é dirigido?

Eu nunca vi alguém tão obcecado com os detalhes. Além disso, os ângulos da câmera são singulares, longe de convenções. Ele conhece bem todos os profissionais, até a acessorista. É raro em nossos dias ver um cineasta também polivalente.

É o seu primeiro filme em francês depois de Ársene Lupin, de Jean Pierre Salomé há 12 anos. A língua afeta o seu trabalho?

Minha voz já não é a mesma coisa. Cada um tem várias vozes de acordo com suas emoções. O inglês, que não é minha língua materna, é como uma armadura. Para Casino Royale, precisava que meu tom “britânico” soasse impecável, eu tive muito trabalho com meu tradutor. As línguas estrangeiras ajudam a escapar de si mesma, a se descentrar. O inglês americano facilita exuberância, o insulto, porque não… Sobre Roman Polanski eu estava aliviada com a ideia de ser menos prisioneira da língua, de poder improvisar, mas, na verdade, eu tenho a impressão de estar nua. Moral: No francês, como no inglês, eu tenho o mesmo nervosismo. Esta questão da língua é interessante: O prazer de pronunciar tal consoante, de buscar seu som. Eu adoro o que é gutural: O alemão ou o árabe.

O seu pai é sueco. Você fala essa língua?

Infelizmente não, embora eu tenha nacionalidade sueca e que eu ouça o GPS de seu carro, meu pai não falava sueco conosco em casa. Eu conheço apenas alguns palavrões, mas eu tenho uma afinidade com essa língua, aninhada em meu subconsciente. Da minha atração pelos filmes de Ingmar Bergman, a literatura do norte: Ibsen…Eu sou muito orgulhosa da minha bisavó, que era de Haparanda, no norte da suécia. Ela foi a primeira fotógrafa repórter jornalista, no início do século XX. Ela se chamava Mia Green. Em sueco, se pronuncia <<Gréne>>, não <<Grine>>. Que significa <<ramo>>. E sim, Eva ramo, isso é tudo menos chic…

Que criança e adolescente você era?

Boa na escola, mas de uma timidez doentia, pânico com a ideia de fazer uma apresentação na classe. Eu tinha que passar meus orais de francês. Uma noite, eu disse a minha mãe <<Eu não quero ir à escola>>. Ela me disse <<Isso não é grave>>…Poucos pais reagiriam assim. Eu entrei para a escola americana, onde me senti muito melhor, porque haviam cursos de história, arte e fotografia…Criança, eu tinha a impressão de flutuar em um sonho ou de ser a voz de uma mulher velha que conta sua vida. As festas de aniversário, eram um pesadelo, eu temia os jogos, de não compreender as regras. Hoje ainda, eu não gosto de festejar o meu aniversário, talvez é um narcisismo invertido. No entanto: Eu tenho medo que tudo seja perdido. Eu quero que a música seja perfeita.

Apesar, ou por causa dessa timidez que você decidiu se tornar uma atriz…

Isso foi feito progressivamente. Eu senti um choque depois de L’histoire de Adele H de François Truffaut, e sua heroína comprometida profundamente no amor. Eu sou desde então, uma grande fã de Isabelle Adjani, que sempre me inspirou. Alguém completa, que não mente… eu decidi, por um momento, seguir o curso de arte dramática: Eva Saint-Paul contou muito. Eu sabia que queria este trabalho, mas eu ainda estava escondendo dos outros. Eu dizia que queria ser diretora. Eu comecei no teatro, com Dominique Labourier e Isabelle Gélinas, duas grandes mentoras. E, eu abandonei, muito nervosismo, o medo de errar, a angústia de recomeçar todas as noites. Mesmo quando eu não estou lá, eu tremo por aqueles que estão no palco. Talvez aí esteja a beleza do teatro… Eva Saint-Paul me disse muitas vezes que eu tinha sido feita para o palco. Talvez eu volte…

O seu primeiro filme Os sonhadores de Bernardo Bertolucci (2003), onde você está frequentemente nua. Um desafio sobretudo levando em conta a reputação de Bertolucci…

Minha mãe tentou me dissuadir. Mas eu adoro o seu trabalho. Eu tinha um enorme pôster de O Último Tango em Paris no meu quarto. A filmagem foi idílica. Eu guardo a lembrança de um filme de adolescência livre e feliz. Eu devo muito à Bertolucci. É graças a ele que eu estou aqui. Mas, eu ainda fico admirada de ter conseguido assim me doar, eu que sou tímida, desconfortável mesmo em um maiô. Eu sei das relações difíceis que Maria Schneider teve com ele, e o mal que ele a fez, mas comigo, ele tinha aprendido e envelhecido. Nós fomos todos muito bem tratados, como seus filhos.

<<Tão bela, que é indecente>> ele disse a você…

Eu reconheço ter a chance de não se preocupar muito com o meu físico. Pelo menos ainda não. Felizmente, porque eu duvido muito de mim de outras maneiras. É uma profissão relacionada à imagem. Eu sou consciente que o físico importa, mas eu aprecio mais quando falam de mim, e dizem que sou uma boa atriz. Senão, eu tenho a impressão de ser uma bela concha.

Fazer uma carreira em inglês, não foi uma maneira de você se destacar de sua mãe?

No início, sem dúvida. Depois de Bertolucci, eu encontrei um agente inglês, e eu comecei a gravar Kingdom of Heaven, de Ridley Scott (2005). Tudo se encadeou muito rápido. Eu decidi, então, me mudar para Londres, que eu amo profundamente, onde eu me sinto adulta. Em Paris, é um casulo: Eu volto a ser uma menininha.

Você fez dois filmes com Tim Burton, Sombras da noite e O Lar das Crianças Peculiares. Como você trabalhou com ele?

Muito visualmente. Nos comunicamos por meio de desenhos. Ele não gosta muito que a gente fale, que cavamos psicologias. Juntos, nós procuramos o visual. Depois, tudo passa por mímica, a voz do personagem, que ele encontra. Ele confia inteiramente nos atores. Com ele, você se sente livre e amado. Ele convida todos a fazer o seu pequeno show, e vê-lo entusiasmado é um prazer. O truque, é fazer demais. Como Tim não aposta nada no realismo, ele suscita fortemente o barroco, o excesso. Devemos saber equilibrar… Miss Peregrine é uma Mary Poppins sombria, com uma fala muito rápida e gestos de pássaros. Ela faz tudo para proteger suas crianças. Um papel sem nada sexual.

<<Gótica>> É uma etiqueta que você cola na pele…

Eu talvez procurei. Adolescente, eu amava The Cure e Edward mãos de tesoura, eu me vestia frequentemente de preto, e eu continuo, aliás. Mas se eu estudei Lady Mcbeth ou Mary Tudor, é porque meu professor de arte dramática me dava esses papéis para que eu fizesse violência. Daí me catalogam <<Dark>>, <<gótica>>, <<Femme fatale>>…talvez eu devesse raspar minha cabeça um dia, para escapar dessa reputação. Eu interpreto uma femme fatale com Roman Polanski, é verdade. Enquanto eu não sou tudo na vida, uma mulher simples, eu estou lutando.

Mais você encarna muito bem a <<Femme Fatale>>!

As Femmes Fatales, é verdade, eu interpretei em Sin City por exemplo. Mas eu também interpretei heroínas frágeis, perdidas, desequilibradas … Eu tenho a chance de fazer um trabalho que permite metamorfoses. Quando eu era pequena, eu pedia a minha mãe para me contar histórias com personagens que viveram experiências fortes, transformando o curso de sua existência.

Você é também, uma heroína que luta contra o mal. Em Penny Dreadful, você foi possuída, você levita. O trabalho em uma série de televisão, é diferente do cinema?

Sim e Não. Eu temia um ritmo desenfreado, de não poder trabalhar, como em Camelot (2011), outra série, que foi uma experiência bastante infeliz. Mas o criador, John Logan, deu-se ao trabalho. Ele começou na TV e se mostrou perfeccionista e doce. Ele me ofereceu um dos melhores papéis, permitindo uma estreita colaboração entre nós. Ele me enviou o roteiro dos episódios, perguntando o que eu pensava. Eu sugeri, por vezes, de reescrever algumas passagens. Um luxo extraordinário! É difícil se desfazer de uma experiência assim. Ao mesmo tempo, três anos, desse universo de trevas, é muito longo. Quando assinamos por uma série, damos a alma ao diabo, porque nós não sabemos quanto tempo ela durará.

Você diz que não recebe propostas de papéis na França.

Não me conhecem muito aqui. Eu tenho um agente francês por dois anos somente. Alguns devem imaginar que eu só amo a mitologia e o universo fantástico, que eu esnobo o cinema intimista ou realista. Nada me agradaria mais do que sujeitos ásperos, desde que sejam intensos. Os irmãos Dardenne, por exemplo, criam situações fortes, de conflitos interiores extremos … com a atriz sueca Alicia Vikander, eu recentemente gravei Euphoria, dirigida pela compatriota Lisa Langseth. A história de uma relação simbiótica e tensa entre duas irmãs. Ele é algo novo para mim.

Você poderia nos citar uma atriz importante para você?

Bette Davis. Tão livre e irreverente. Em O que aconteceu com Baby Jane?, de Robert Aldrish (1962), melodrama puro, ela é precisa, aguda, eficaz, muito física. Ela tem um senso de humor decapante. Ela fez toneladas e é divertido de assistir. Ela não teme nada.

Sua mãe te serviu de modelo?

Tenho que reconhecer, eu diria que não. Mas eu sempre destinei uma grande admiração por minha mãe atriz, porque ela é profundamente instintiva. É um animal. Estou orgulhosa dela e ela de mim. Enfim, foi isso que ela me disse…

Fora do cinema, a qual outra arte você é particularmente sensível?

A Fotografia. Em meus E-mails, eu muitas vezes junto as minhas pobres palavras uma foto, que é bem mais poético, sem necessariamente conhecer o autor. Eu sou bastante Geek, neste lado. Este é o lado positivo, mesmo extraordinário, da Internet. Eu faço a pesquisa por temas e descobri coisas simbólicas, surreais, às vezes muito antigas. Gosto de colecioná-las em meu computador. Elas são sempre em preto e branco. Concordo com o que Ted Grant disse, o fotojornalista canadense: << Se você fotografar pessoas em preto e branco, vou está fotografando sua alma. Enquanto que com cor você fotografa suas roupas >> Entre os meus artistas prediletos estão: Diane Arbus, Francesca Woodman, Sally Mann, Man Ray, Robert Frank …

Você gosta da sua época?

Não. Mas eu acho que se eu tivesse nascido um século atrás, o meu desconforto teria sido o mesmo. Cada época tem suas falhas: As mulheres não tinham muito poder, antigamente. Eu tenho a mesma impressão, que vivemos o fim de um ciclo, que chegamos a um impasse. O mundo ficou louco, e eu nunca vi tantas pessoas deprimidas ao meu redor.

O que você vai fazer depois das filmagens do filme de Roman Polanski?

Partir. Vou talvez na Nova Zelândia, eu nunca estive lá. Viajar sozinha, eu já fiz isso. Nós aprendemos muito sobre si mesmo. Você encontra também, o que não encontraria se você fosse com alguém. Eu gosto de andar com um propósito. No Butão, o que recompensa são os templos incríveis. Em fevereiro passado, eu estava na Tanzânia por um mês. Uma vez passei a fase difícil para as mulheres de sofrer com comentários desagradáveis <<Como isso? Você não é casada? e por quê?>>. É fabuloso, eu não sou religiosa, mas posso dizer que Deus vive lá. É uma natureza mística que rasga o coração.

E em 15 anos?

Eu me vejo em uma casa nas montanhas. Ou numa fazenda na Irlanda, cercada de animais. Longe do mundo. O mar? A não ser que seja selvagem, como na Bretanha. Porque as Maldivas…que chato! Eu gosto das paisagens que nós exploramos, que nós percorremos. A montanha é como uma ópera.

Fonte: http://www.telerama.fr/cinema/eva-green-je-joue-encore-une-femme-fatale-avec-polanski-alors-que-je-ne-le-suis-pas-dans-la-vie,152683.php

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Hoje, 08/02, foi divulgado um novo trabalho cinematográfico aceito por Eva Green.

A atriz viverá par romântico com a personagem de Gemma Arterton em filme dirigido por Chnya Button, que conta a história de Virgínia Woolf e a poeta Vita Sackville.

Eva Green também fará parte da produção executiva, juntamente com Arterton e Mirror’s Simon Baxter.

Mais informações em breve!

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Eva Green já mostrou ter bom gosto pra cinema, livros e lugares, então nada melhor do que ter diversas recomendações da atriz juntas no mesmo post. Confira o que a nossa equipe separou:

LIVRO: The shadow of the Wind de Carlos Ruiz Zafón– “Eu recentemente li <<A sombra do vento>>, do escritor espanhol Carlos Ruiz Zafón. É uma linda estória, e um ótimo livro para ler nos feriados. Muito romântico.”

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FILME: Sils Maria de Olivier Assayas– “São três atrizes soberbas”

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LUGAR: Deyrolle, loja de taxidermia em Paris, França– “É uma loja muito bonita. É como estar em um conto de fadas ou alguma coisa assim.”

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ESTILO: Cate Blanchett- “Cate Blanchett! Ela é muito elegante. Mostra que consegue ficar confortável em qualquer coisa que ela vista. Não há impressão de que um estilista escolheu seu traje e fez ela usar aquilo. Cate e eu não conhecemos uma a outra, mas se eu a conhecesse, eu adoraria elogiá-la pessoalmente. Mas eu desmaiaria de admiração primeiro.”

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FILME: Respire de Mélanie Laurent- “Nos últimos meses, eu amei <<Respire>>, de Mélanie Laurent. Eu amo essa garota, que tenta coisas diferentes de projeto em projeto.”

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MÚSICA: The National– Eva descreve a música da banda como “Muito boa”

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LIVRO: Long Walk To Freedom de Nelson Mandela– “Eu li << Long Walk to Freedom>> de Nelson Mandela e ele é meu herói!

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FILME: Tabu de Miguel Gomes- “<<Tabu>> de Miguel Gomes foi o último filme que eu assisti e penso que é realmente uma jóia, nós não fazemos mais filmes como este. É excêntrico, gentil e atrevido…”

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LÍNGUA: Sueco- “É muito musical e poética.”

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BELEZA: Esmalte Midnight Cami by Essie Pro- “Eu gosto de usar algum durante o verão, preferencialmente cores profundas, como <<Midnight Cami da Essie Pro>>.

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Eva Green: “Eu odeio relógios”

Ela foi descoberta como uma Bond girl com olhos revólveres em Casino Royale. A vimos como uma bruxa lutando com Johnny Depp em Dark Shadow de Tim Burton. Hoje, Eva Green reencontra o diretor de o Lar das Crianças Peculiares. Ela nos conta por que nunca usa relógio.

Entre duas filmagens, Eva Green, descendente sexy de Marlene Jobert, nunca deixa de impressionar a comunidade de Hollywood com seu talento e beleza especial. Mas na vida real, quem é realmente a trintenária com olhar gótico? Ela coleciona objetos estranhos como dizem as fofocas? Que nada, como ela explica, colocando os pingos nos Is!

Esta é a segunda vez que você trabalha sob a direção de Tim Burton. O que a fascina tanto sobre ele?

Bem antes de Dark Shadow com Johnny Depp eu já era louca por seu trabalho! Ele era um herói para mim. Um artista único. Um poeta do seu gênero. Quando ele me chamou para trabalhar com ele, eu não hesitei um só segundo. Eu teria interpretado qualquer coisa: uma lâmpada, uma mesa … (risos) É capaz de misturar horror com o material mais leve. Eu acho que as crianças gostam de ter medo, sem ser traumatizante. Olhando Bambi, por exemplo! Não parece, mas este desenho animado abalou mais do que uma criança. (Risos).

Que criança você era?

OK, admito que eu era muito estranha! Na verdade, eu era tímida. Eu não ia a festas de aniversário, por exemplo. Provavelmente porque os palhaços me assustavam. Hoje, as coisas estão melhores. A minha primeira vez como atriz em Los Angeles, não foi fácil. Fiquei muito desajeitada. Levei algum tempo para me acostumar com esta cidade. Dito isto, eu não sou a única. Eu conheço muitos atores que vivem em Hollywood e ainda não estão.

O que você não gosta em Los Angeles?

Nesta cidade, você tem a sensação de que está sendo constantemente julgada. Você está gostosa? Muito gostosa? Não é gostosa o suficiente? Pela primeira vez, este é um mundo do cinema que é estranho para os meus olhos. Muitas vezes as pessoas me perguntam por que eu nunca me estabeleci em Los Angeles. Eu respondo que eu venho para o trabalho, para dar entrevistas, conhecer meus agentes ou para fazer filmes, mas viver, jamais! Além disso, eu odeio o tráfego. É um desperdício de tempo. Depois, há a poluição que pica seu nariz e irrita os olhos. Esta cidade, eu não entendo. Quando você está na Europa, você tem metrô que permite descongestionar as grandes cidades. Em Los Angeles, as pessoas levam seus carros para fazer pequenos passeios. Eu escapo disso e isso me consterna.

E como é o seu apartamento em Londres?

Eu garanto- lhe, que não é o covil de uma bruxa com morcegos empalhados. Eu tenho certeza que as pessoas imaginam isso. Eu amo, por exemplo, ir para Portebello, uma área de Londres, onde há muitas antiguidades. Quando eu vejo um urso de pelúcia olhando para mim com olhos tristes, eu compro. Eu tenho apenas um desejo, salvá-lo e trazê-lo para casa. Eu também gosto das artes chinesas e indianas. Tem alguns objetos estranhos, mas nada de especial. Meu apartamento me lembra uma espécie de templo. É uma bolha em que eu me sinto bem. Eu diria que é barroco.

E além de ursos de pelúcia, o que mais você coleciona? Relógios?

Absolutamente não! Eu odeio relógios. Eu não posso usar um, se não eu passo o tempo todo olhando para ele. Você sabe, é uma espécie de vício de ver a mão se movendo segundo a segundo. Sempre que você está estressada, a primeira reação que você tem é de olhar para o tempo. Como se passar o tempo ou o ver a hora mudaria o curso das coisas. Dito isto, tudo depende do contexto. Vimos destinos mudar em um segundo!

De onde vem esse trauma…temporal?

Provavelmente da escola. O relógio na parte de trás da classe que me lembrava o período, a obrigação de estar sempre na hora, para terminar o seu trabalho a tempo. Meu pai é sueco. Ele queria me ensinar a importância da precisão, nunca se atrasar. Hoje, eu não posso, eu não penso assim. Eu não quero ter nenhuma programação. Eu devo confessar. Eu não gosto de seguir regras. E acrescentando que esta noção de tempo me faz lembrar constantemente que o tempo está se acelerando à medida que envelhecemos! Em todos os casos, esta é a sensação que me dá.

Então, os relógios, se eu seguir o seu raciocínio, simbolizam as regras a seguir?

Sim, de alguma forma. Eles te lembram constantemente a necessidade de executar uma tarefa em um determinado período de tempo. Eles te trancam de alguma forma e te privam da liberdade. Eles te forçam. Os únicos relógios que encontro graça, são os relógios de bolso como o utilizado pela senhorita Peregrine, a protetora dos órfãos com superpoderes, que ela vigia ardentemente. Misteriosa, ela pode mudar o tempo e tomar a forma de um pássaro. É uma espécie de Mary Poppins um pouco obscura, excêntrica e valente, que não hesita em usar seu arco para matar aqueles que ameaçam suas crianças peculiares. A senhorita Peregrine usa principalmente um relógio espaço-temporal, para proteger a escola de bombas nazistas. Se eu tivesse que possuir um relógio, seria assim. Um relógio que pode congelar o tempo em momentos felizes, e afastar de desastres e não um relógio para lembrar constantemente que o tempo passa tão rapidamente. Muito rápido!

O que você acha bom nos relógios de bolso?

O fato de que você não tem pulso, eu presumo. E eles têm uma pequena parte lateral barroca ou mesmo incomum. Eu amo o gesto ligado a ele também. No século passado, os homens tinham que removê-lo suavemente do bolso do seu casaco. Não havia esta ação frenética que nós associamos com relógios modernos. Você sabe, este gesto, que consiste em uma torre de pulso súbita e recorrente.

Fonte

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Estrelando em O Lar das Crianças Peculiares, a fabulosa, glamorosa e inconvencional Eva Green, 36 anos, conversa com MiND FOOD sobre diversos assuntos – De sobre se sentir ‘Atraente o suficiente’ para Hollywood, até seus medos de infância de palhaços. A antiga Bond Girl (Casino Royale) e regular na série de TV, Penny Dreadful, nasceu em Paris. Ela exala uma misteriosa e antiquada qualidade raramente vista nas atrizes modernas. Essa mesma qualidade tem garantido sua carreira nos filmes.

 

Miss Peregrine é descrita como misteriosa, inteligente e dura. Alguns poderiam dizer que este foi um ajuste perfeito.

(Risos) Bem, eu gosto de pensar assim. Eu tento.

 

O que você gosta nesta personagem literária?

Ela é tão legal. Ela cuida de todas essas lindas crianças e fuma cachimbo (risos). E também, é a primeira vez que eu não estou sendo o interesse amoroso.

 

Você fuma?

Não mais. Eu costumava ser fumante, mas eu parei há 3 anos.

 

Pensando na palavra peculiar, quando foi que você se sentiu peculiar em sua vida?

Eu sempre me senti um pouco peculiar. Eu acho que muitas pessoas de alguma maneira já se sentiram, muito diferentes [de outras]. As pessoas dizem que eu sou estranha, mas eu não me sinto estranha – então talvez eu seja estranha! (Risos) Eu tenho cabelo preto, eu me senti estranha quando criança, eu era muito tímida, com medo de ir a festas de aniversário e de palhaços.

 

O que te assusta agora?

Deus, muitas coisas neste mundo. Eu não sei por onde começar. Ganância, poluição… A ganância principalmente.

 

Você tem algum animal de estimação?

Eu tenho um cão, mas minha irmã cuida dele. Ele é um Border Terrier. O nome dele é o Sr. Griffin.

 

Como você se dá com sua irmã?

Minha irmã vive na Itália, então eu não a vejo muito frequentemente, mas nós conversamos via Skype. Ela tem duas lindas crianças que eu adoro. Ela tem um vinhedo, então ela faz o próprio vinho. Sim, é muito legal.

 

Como ela cuida do seu cão na Itália?

Bem, ele é mais o cão dela agora, é verdade. É meio triste. É difícil viajar com um cão. No Eurostar você não pode levar o seu cão com você, o que eu espero que um dia eles façam com que isso aconteça.

 

Como você gosta de estar em Los Angeles? Não é muito o seu estilo de cidade?

Eu estou meio que ok com LA agora. No início era bem intimidante, mas agora eu até gosto. Mas isso levou um tempo. Acho que muitos atores se sentem estranhos em LA. Você sempre se sente como se estivesse sendo julgado. Você é gostosa? Você não é gostosa? É um negócio estranho.

 

Você é vegetariana?

 Sim, quase uma vegana. Eu trapaceio às vezes, mas eu sou vegana. Sim, bem Hollywood (risos).

 

 Você tem alguma maneira favorita de se cuidar?

Sim, eu amo caminhar, gosto de longas caminhadas, andar nas montanhas, escaladas.

 

O que tempo significa para você? Você usa relógio?

Ah, odeio relógios na vida real. Eu não posso usar relógios pois eu iria olhar para ele todo segundo. É meio que um vício (risos). Eu acho que talvez, isso me faz lembrar da escola ou algo assim. Eu preciso estar na hora. Eu meio que sou surtada com isso. Eu sou como meu pai, que é sueco, então é tudo sobre ser pontual. Mas eu não tenho uma agenda e eu não gosto muito de regras.

 

Como você se sente sobre a passagem do tempo?

Sinto que está acelerando à medida que eu envelheço.

 

Você alguma vez já pensou ‘ Por que eu entrei nesse negócio? ’

 Eu não sei. Sim, é uma indústria bastante dura e eu sinto que às vezes eu irei alcançar um ponto em que eu estarei ‘Chega! Não consigo mais fazer isso! ’ Sendo julgada todo o tempo e seu agente e quem quer que seja dirá para você não, ‘Você não é gostosa o suficiente’ Isso é difícil.

 

Onde você mora?

Londres.

 

Como você descreveria seu apartamento? É moderno? É antiquado?

Não, parece ah, Deus, é uma mistura de Asiático-Indiano. Parece um templo, como uma bolha. É um pouco barroco, sim.

 

O que você gosta sobre cachimbos?

Tem algo maravilhoso e algo bem estranho, o cheiro dele, é bem doce. Eu me sinto um homem, um detetive. É bem legal.

 

Você está usando anéis bem interessantes…

Ah, os anéis. Sim, eu tenho vários como esse. É meio que um anel da sorte. Eu fico um pouco nervosa quando dou entrevistas, então é meio que uma armadura. É de uma designer que eu não consigo pronunciar seu nome corretamente. É Elena Okutova. Eu vou no site dela. Ela tem uma página no Facebook e ela é, novamente, bem barroca e bem colorida, e meio mágica. Tem um mundo em cada pedra, quase como uma bola de cristal ou algo do tipo, sim.

 

Que tipo de música você escuta?

Todos os tipos. Eu gosto de jazz, clássica, alternativa. A música é importante na minha vida.

 

-Entrevista traduzida por Eva Green Brasil

Fonte

 
 

HOLLYWOOD SEMPRE QUIS QUE ELA FOSSE A FEMME FATALE.
ELA DIZ QUE SE SENTE EXCÊNTRICA E ALTERNATIVA.
AGORA NO PAPEL DE UMA BABÁ MÁGICA, EM “O LAR DAS CRIANÇAS PECULIARES’, EVA GREEN SE RECONCILIA CONSIGO MESMA.

Uma vez, Eva Green declarou que adoraria convidar para uma festa, Bette Davis, Ingmar Bergman e John Cassavetes. Pessoas que já faleceram.
“Soa um pouco macabro, não é mesmo? O que eu quis dizer é que seria interessante ouvi-los: afinal estamos falando de pessoas que fizeram a história do cinema, não?” explica a atriz francesa de 36 anos e olhos azuis que se destacam ainda mais graças aos olhos esfumados de maquiagem. “Mas visto que não estão disponíveis, significa que baterei um papo com eles só no paraíso!”
Eva Green parece ter saído de uma outra época. Tim Burton, que em Sombras da Noite a presenteou com uma emocionante cena de amor com o vampiro Johnny Depp, sempre viu nela “o carisma e mistério das grandes divas da época do cinema mudo”.
Bernardo Bertolucci, que ofereceu para ela o primeiro papel no controverso Os Sonhadores quando tinha pouco mais de vinte anos, fez uma declaração que se tornou célebre: “Ela é tão bonita que chega a ser indecente. Me lembra as protagonistas inescrupulosas dos filmes de gângster, aquele tipo de mulher que caminha com graça sobre os corpos dos homens que ama”.
Desde então, quase favorecendo a definição, Hollywood a imaginou principalmente nos papéis de personagens sedutoras e perigosas: de Vesper Lynd, a inesquecível Bond girl de Casino Royale, à rainha Artemisia de 300: A Ascensão do Império, passando pela sequência de Sin City e pela série Penny Dreadful, que é ambientada na Londres vitoriana entre bruxas e lobisomens. Mas o título de femme fatale, é inevitável: “As pessoas dizem que sou misteriosa e gótica, mas eu não me sinto assim. Entendo que possa passar essa impressão por causa do meu jeito reservado, mas o que significa exatamente a palavra “dark”? Me parece que, acima de tudo, tem uma conotação negativa, e eu acredito que todos os meus personagens, até os mais frágeis e desiludidos, aspiram à luz”. Mas não aquela dos flashes fotográficos: se a encontrarem pela rua, nunca, nunca mesmo, peçam uma selfie juntos. “É triste, as pessoas querem uma foto e mais nada. Ninguém pensa em compartilhar um momento: estão somente interessadas em si mesmas. A sensação que tenho é que estão me roubando algo, sem terem nada para me dizer”.

Para não falar das redes sociais, em que ela não está presente e que define (“mas falo isso com simpatia”) “o vômito”.
Estamos numa luxuosa suíte do Claridge’s Hotel de Londres e Eva, em grande forma, calça e blusa preta, os cabelos que descem um pouco abaixo dos ombros. “Não sigo a moda, por sorte tenho um estilista que me ajuda quando estou promovendo meus filmes. Fazer compras me deixa entediada, sob este ponto de vista me pareço com os homens. De manhã, quando abro o guarda-roupas, vou no mais seguro e opto pelo preto, para não ter perigo de errar. Algumas pessoas poderiam sugerir que sou depressiva e neurótica”, diz sarcástica levantando uma sobrancelha. “As pessoas tendem a te rotular facilmente, isso as tranquiliza”.
Talvez ela devesse voltar a ser loira, seu tom natural, para se desvincular da imagem de dark lady?
Ela balança a cabeça: “Sem chances!” Aos 15 anos tingiu o cabelo de preto azulado para imitar uma amiga da mãe e aquela pequena transformação deu a ela uma segurança inesperada: “Eu sempre fui muito tímida. Na escola, quando a professora me fazia falar na frente do restante da sala, eu ficava muda e só respondia com monossílabas. Pode soar estranho, mas eu tinha a sensação de fazer parte do sonho de outra pessoa: enfim, eu não vivia o momento, lutava uma realidade que não era a minha. Sempre me senti deslocada”.
Basta deixar Eva Green falar, para que revele suas fragilidades e suas dúvidas com uma sinceridade desarmante: “Aos 16 anos, meus pais me fizeram falar com um psicólogo, com quem não consegui estabelecer uma conexão. Às vezes acontece, talvez eu devesse tentar agora. Essa sim é uma profissão fascinante: me pergunto como eles fazem para escutar diariamente os problemas alheios e não se envolver. Eu gostaria de saber mais sobre isso”.
Recentemente Eva descobriu a ioga, que considera uma outra forma de terapia: “ É uma disciplina interessante e cansativa, através da qual entendi que nosso corpo é um instrumento extraordinário. Me obriga a continuar presente, concentrada”. É natural se perguntar se não foram exatamente as lembranças das dificuldades juvenis a prepará-la para “O Lar das Crianças Peculiares”, o filme que Tim Burton adaptou do best-seller de Ransom Riggs.
Os protagonistas são crianças e adolescentes com habilidades especiais: há quem projete nas paredes seus sonhos premonitórios e quem pode liberar um enxame de abelhas só de abrir a boca, tem uma garota tão leve que flutua se não usar um pesado sapato de ferro e há também quem fique invisível. “Esse sim seria um belo poder. Eu, no meu cotidiano, procuro passar o mais despercebida possível” admite tomando um chá verde. “Sempre gostei da ideia destes garotos, considerados freak pelas pessoas de fora, que em seu pequeno mundo fossem celebrados devido às suas peculiaridades. É uma mensagem importante para quem está crescendo: tenham orgulho de vocês, vivam corajosamente e acima de tudo, abracem suas individualidades”.
Quem lidera o grupo de jovens é Miss Peregrine, uma governante excêntrica capaz de se transformar em falcão peregrino: “É uma espécie de Mary Poppins alternativa e bizarra. Para me preparar, assisti vários documentários sobre esses animais, os mais velozes do planeta, e depois incorporei as informações na minha atuação”.
Como é Tim Burton?
“Um homem simples e muito disponível, e isso é regenerador. No meu setor vejo tanta arrogância e ego gigantesco, isto me enoja. Este é o aspecto que mais detesto desse trabalho, isso e ter que fazer publicidade: não sou muito boa para falar de trivialidades, do clima, do nada. Não estou falando que a gente deva falar sobre filosofia, mas ao menos podemos tentar falar algo verdadeiro, ser mais profundos. Tim é diferente, é um artista. Para você ter uma ideia ele até fez um retrato de mim, que eu mandei emoldurar: eu tinha acabado de voltar do Nepal, por isso ele me desenhou em cima de uma montanha junto com um Abominável Homem das Neves”.
No meio de tantos poderes especiais, Miss Peregrine consegue manipular o tempo: se você pudesse voltar no tempo, para onde voltaria?
“Para os anos 70, um período revolucionário. Ou para a minha infância, a mais inocente das idades. Percebo que me tornei mais forte só aparentemente, a minha armadura não é resistente. Aos vinte anos me diziam: “Vai ver que quando chegar aos 30, tudo será perfeito”. Agora que tenho 36 me dizem para esperar até os 40. Sou um pouco nervosa, absorvo as energias que estão ao meu redor”.
Existe algo que particularmente te preocupa? Ela para um tempo para pensar, abaixa a voz: “Não é uma boa época. Tem muito sangue sendo derramado no mundo, as pessoas estão deprimidas e do ponto de vista político vejo só um grande caos de vozes que se sobrepõem. Para não falar de como estamos destruindo o meio ambiente. Estamos nos aproximando do fim de um ciclo, quem sabe se terminaremos como os dinossauros e algum dia o planeta achará um modo para se livrar de nós. Mas talvez eu seja pessimista só porque estou envelhecendo”.
Não se nota, com aquela pele de porcelana, sem imperfeições. Não por acaso, Eva foi Embaixadora das marcas Armani, Lancôme e L’Oréal. “Sou muito atenta com o que coloco na mesa, porque a chave para estar bem está na comida: muitas verduras, cruas inclusive, todos os dias. Tudo rigorosamente orgânico. Às vezes me rendo às massas: a minha preferida é aquela com mariscos».
Mesmo que tente não pensar nisso, ela explica, o avançar da idade representa um problema para quem trabalha em frente às câmeras: “É uma indústria competitiva, onde você faz um filme e depois corre o risco de passar muito tempo desocupada. Principalmente para nós mulheres: se não tem mais vinte anos e não é mais sexy o suficiente, acontece de as oportunidades começarem a diminuir”. Mas Miss Peregrine é uma heroína magnífica, que não aposta no sex appeal, mas no caráter: “É verdade, é uma mulher que vive para esses jovens e que faria de tudo para protegê-los”.
Trabalhar com um elenco muito jovem por acaso despertou em você o instinto materno?
Ela sorri e responde com cautela para não desvendar muito: “Minha irmã Joy (elas são gêmeas não idênticas) tem dois filhos e sempre que posso vou ficar com eles e faço o papel de tia legal. Eles sabem que comigo podem se soltar e fazer as coisas que a mãe proíbe. Existem limites, naturalmente, mas às vezes é divertido subverter as regras. Eu jamais seria aquele tipo de mãe que impõe condições rígidas e, por exemplo, os coloca para dormir às quatro da tarde, mesmo que não estejam cansados. Você tem que deixar os filhos florescerem”.
Acabou de chegar com Eurostar de Paris, a cidade onde nasceu e cresceu e onde os pais ainda moram: o pai Walter é um dentista sueco, e a mãe é Marlène Jobert, atriz que já trabalhou com Jean-Luc Godard e Louis Malle e agora é uma respeitada escritora.
“Quando eu e minha irmã nascemos, ela parou de atuar para se dedicar a nós. Ela tinha uns quarenta anos”.
Estaria disposta a fazer o mesmo, sacrificar suas paixões?
Eva reflete um pouco, buscando as palavras exatas: “Por amor, talvez. Se bem que não tenho certeza que seja uma escolha sadia: colocar outra pessoa em primeiro lugar é esplêndido, mas talvez depois acabe te matando lentamente, porque se torna incapaz de florescer por conta própria”.
Se diz atraída por homens que estão em contato com a própria parte feminina, mas não fala sobre seus relacionamentos: o último namorado oficial foi o ator neozelandês, Marton Csokas, que conheceu no set do filme “Cruzada” e com quem namorou de 2005 a 2009.
Há 12 anos sua casa é em Londres, para onde se mudou logo após o sucesso de “Os Sonhadores”: “Aqui me sinto mais adulta e independente porque estou longe da minha família”.
Quando conseguiu o papel de Isabelle, no filme de Bertolucci, sua mãe tentou convencê-la a abrir mão: “Ela temia que aquele filme, que abordava o tema da sexualidade de uma forma explícita, pudesse me prejudicar, um pouco como aconteceu com Maria Schneider após “Último Tango em Paris”. Mas no fim ela me disse: “Se quer atuar, atue como se não tivesse medo de nada”.
Dando uma olhada na sua filmografia fica evidente que ela seguiu o conselho. Seu próximo projeto é o filme Euphoria, junto com a ganhadora do Oscar, Alicia Vikander: “É uma história intensa sobre a relação entre duas irmãs. Esperem por segredos familiares, dramas não ditos e problemas não resolvidos. Enfim, uma espécie de ‘Festa de Família’”.
Treze anos após a estreia, admite que sua timidez finalmente se atenuou, em parte graças ao trabalho: “Ser atriz me colocou de frente com meus demônios e me mudou. Apesar da ansiedade e do medo de fracassar com os quais ainda hoje combato, a cada dia aprendo algo novo sobre mim mesma”.
E essa, eu diria para a garota frágil que se sentia lutar em uma realidade que não era sua, é a maior conquista de todas.

(publicado em 17/10/16)

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Ela desempenha o papel principal do novo filme de Tim Burton, “O Lar das Crianças Peculiares”. Um encontro com a filha tímida de Marlène Jobert.

Além de seus olhos, azuis claros, bonita e sorridente, o negro domina: vestido sem mangas e de renda, e cabelos longos.

Oh! E também tem muitos anéis de prata, góticos… Sim, isso mesmo: Eva Green é gótica e tímida também. Difícil encontrar o rosto da L’Oréal ou a Bond girl perturbadora em Casino Royale, por trás dessa moça bonita e cordial que pede desculpas a cada palavra que profere.

Esta é a primeira vez que você interpreta uma personagem que é também maternal…

“Isso é o que me atraiu, eu nunca tinha feito isso além de Cracks, um filme que se passa em um internato de meninas. Aqui eu interpreto alguém que absolutamente faria qualquer coisa por suas crianças, iria sacrificar-se por eles. É uma espécie de Mary Poppins no tempo.

Você sempre foi sensível ao universo de Tim Burton?

Eu cresci com ele! Meus filmes favoritos eram Beetlejuice, Edward Mãos de Tesoura. Eu acho que a senhorita Peregrine traz de volta às suas origens, homenageia os seres singulares, valoriza-los, torna bonito.

Você contou a Tim Burton que sua mãe escreve livros infantis?

Aconteceu de eu contar algumas histórias de minha mãe [a atriz Marlène Jobert] para Tim e ele ficou fascinado. Ele insiste que eu traga “A árvore que chora para ler.”

Por que você trabalha tão pouco em francês?

Acontece que eu estou prestes a começar um filme em francês com Polanski e estou muito feliz. Para torná-lo perfeito, o Inglês me deu muito trabalho pela frente. Lá eu teria mais liberdade. Os franceses não necessariamente pensam em mim e me colocam nessa caixa “mulher sofisticada, fatal, gótica”, então eu irei tornar as coisas mais realistas, mas fortes. Eu gostaria de trabalhar com Audiard, como todo mundo, ou Assayas…

No filme, sua personagem se transforma em um pássaro. Você gostou?

Eu adoraria! Eu fui para a Tanzânia em fevereiro e foram as aves que mais me fascinaram. Eles são livres, dão a impressão de serem mestres. Eu provavelmente vou parecer um pouco calibrada, mas quando eu atuei na série Camelot, fui ver um xamã, porque a minha personagem, Morgana, era uma espécie de bruxa. Ele me disse que meu animal totem era um pássaro com pernas longas.

Pequena, você tinha a impressão de ser uma criança especial?

Sim! Eu era tímida: se um professor me fizesse uma pergunta,o sangue não chegava ao cérebro mais. Eu não poderia mesmo ir para festas de aniversário. Eu não entendo como eu consigo fazer este trabalho. Mas muitas pessoas têm esse sentimento de ser diferente, à margem. Mas temos de ter orgulho de ser diferente. É sobre isso que é o filme.

Você é tímida?

Eu posso fazer entrevistas! Você tinha que me ver durante minha primeira, foi tão terrível! Eu quase morri. Eu não sei se eu sou menos tímida, mas eu sinto que estou ficando cada vez mais frágil. Neste negócio, é tão dependente de pessoas, o seu julgamento! E depois há uma enorme pressão. Então, quando eu estou na imprensa, aparições públicas, eu visto uma armadura. Mas eu amo meu trabalho!

Sua mãe te deu algum conselho?

Sim. Ela estava muito relutante até mesmo em meus primeiros dias em que eu ia fazer o filme de Bertolucci, houve nudez, ela me disse: “Ele vai destruí-la, você é muito frágil.” As filmagens foram alegres, ele era paternal e tudo correu muito bem. É um negócio aterrorizante, eu ainda não pude me acostumar com isso. E minha mãe continua se preocupando até hoje: É uma mãe.

Quais são os seus filmes e séries de cabeceira?

Gritos e Sussurros, de Bergman em particular, eu vi inúmeras vezes. Eu também adoro Uma Janela para o Amor de Ivory. Série, eu assisto muitas e eu adoro The Americans.

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Paris Match | Publicado em 05/10/2016

Quatro anos depois de lançar feitiços para Johnny Depp em Dark Shadows, Eva Green encontra Tim Burton para “Lar das Crianças Peculiares”

Você está agora anunciada como a nova musa do Tim Burton. Você sabia desde “Dark Shadows”, em 2012, que vocês retornariam ao trabalho juntos?

Não, embora eu tenha me resolvido muito bem com ele. Quando criança ele era o meu herói com “Edward Mãos de Tesoura” e “Beetlejuice” são filmes lendários para mim. Eu estava filmando a série Penny Dreadful na Irlanda quando ele me chamou para me dizer: “Quero adaptar este livro, isso iria lhe interessar?” Eu respondi: “Eu faria qualquer coisa para você “.

Pela segunda vez, ele imagina você como uma criatura imortal que desafia o tempo. Isto te inspira o quê?

Ah, sim, eu não tinha notado… Eu acredito no sobrenatural. [Ela ri.] Eu acho que as pessoas na terra estão um pouco tristes. Eu acredito em sinais, pontos fortes, a gravidade do pensamento. Há algo que você não pode lidar no universo. Eu sou talvez não muito racional.

O filme é um hino à infância eterna, o poder da imaginação. Você tem medo de envelhecer na tela?

Especialmente a pressão dos agentes e da profissão que eu sinto. Eu sempre me sinto com 12 anos e penso: “Oh lala, eu tenho 36 anos de idade, que medo” O número de vezes que eu ouvi: “Você é velha demais para atuar” ou “Aos 40 anos, basta!” é um negócio cruel para as mulheres. Mas hoje as pessoas de 40 anos estão como se tivessem dez a menos, é uma outra geração, pelo menos eu espero!

Você tem uma carreira própria. Como explicar que você é especializada, a este ponto, em papéis obscuros, quase góticos?

Personagens obsessivos, um pouco loucos, são as mais fascinantes. As pessoas me perguntam por que eu sempre interpreto coisas sobrenaturais. Mas, acima de tudo são personagens complexos, multifacetados. Sou a favor de papéis de mulheres fortes e misteriosas, que não podemos adivinhar de imediato. E você não pensa automaticamente eu mim interpretando “Passe o sal” Ainda assim, eu gostaria muito de tentar um cinema naturalista. Mas eu fui colocada no “sofisticado”, “dark”, “femme fatale”. Isso tranquiliza as pessoas catalogadas.

Desde Arsene Lupin há mais de dez anos, você não trabalha mais na França.

Eu não tive nenhuma chance … As pessoas pensam que eu só fiquei em Hollywood, mas não, eu adoraria fazer uma turnê na França, fazer uma coisa áspera, moderna, ser dirigida por Audiard ou Assayas. Lá, eu acabei de finalizar Euphoria, um filme sueco com Alicia Vikander. É uma história de amor entre duas irmãs bastante inesperada, simbiótica, muito conflituosa, bastante especial. Ainda não havia me visto neste registro. Eu espero que seja bom. Ele pode ser zero ou muito bom. Você nunca sabe com esses temas tabus.

Você pode nos dizer mais sobre o projeto que você está prestes a executar sob a direção de Roman Polanski?

É uma adaptação de Delphine de Vigan, “baseado em uma história real”, e será em francês, finalmente! [Ela ri.] Eu assisti-lo no avião ontem. É, uma história densa muito ambígua, uma personagem grandalhona, isso me assusta, na verdade! Além disso, tenho pouco tempo para me preparar, como eu tenho costume de trabalhar muito à montante. Então, eu estou com um monte de borboletas no estômago.

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É raro conhecer uma atriz que parece tão perfeita na vida real quanto nas telas, mas Eva Green excede todas as expectativas, flutuando para dentro do The Fumoir bar no Hotel Claridge’s de Londres com a mesma pele de porcelana fascinante que tem seduzindo fãs desde sua estreia em 2003 no filme de Bernardo Bertolucci’s “The Dreamers”. Em calças largas de seda preta e uma camisa de seda branca por Haider Ackermann, Green está vestida mais para um boudoir que para o The Fumoir; Seus olhos escuros realçados pela sensual, sombra esfumaçada. Ela está preparada mas tímida, com uma discrição natural que parece distante até que você percebe que ela é uma clássica introvertida. “Eu não sou a pessoa mais eloquente,” ela se desculpa. “Não sou muito boa em falar sobre mim mesma. As pessoas ficam surpresas quando veem que sou tímida”

Sem nenhuma surpresa ela não está nas redes sociais: a idéia de compartilhar fotos com #avotoast seria um anátema para Green. Ela escolheu não participar, ela diz, “porque eu não quero ficar bêbada e ir ‘blábláblá’. Algumas vezes eu mando mensagens bêbada,” ela confessa, timidamente. “Então se eu entrar no Twitter…” ela se cala, parecendo medrosa. “Tem algo bem desesperador nisso. ‘Olha o que eu fiz!’ Não. E eu odeio selfies. Muitas pessoas pedem selfie agora; é triste. Eles querem uma foto, mas isso é apenas sobre eles, ao invés de compartilhar um momento. Parece que eles roubam algo, ao invés de olhar pra você e dizer, ‘Eu gosto do seu trabalho.’”

Com 36 anos de idade e um currículo de 14 anos de uma gama variada de personagens, de uma rainha feiticeira (Serafina em A Bússola de Ouro) a uma Bond Girl (Vesper Lynd em Cassino Royale), Green prova que mesmo nesses tempos de super exposição, ainda é possível ser uma atriz classe A e viver uma vida pacata. “Definitivamente,” Ela diz. “Eu consigo me tornar invisível. Quando vou à Paris [sua casa é em Londres], eu pego o metrô. Eu uso óculos,” ela diz alegremente.

Disfarces são coisas simples para Green. Com 15 anos, ela pintou seu cabelo, naturalmente loiro, castanho escuro porque “isso pareceu certo” e tem sido morena desde então. Ela costumava usar até tons mais escuros , ela diz: mas “isso não é bom na câmera. Fica parecendo um capacete”. Eu compartilho minha teoria sobre mulheres de cabelo escuro passarem mais despercebidas que loiras. “É verdade. Eu nunca pensei nisso,” ela diz. “Isso passa uma mensagem. Talvez é o porquê eu uso preto: ‘Não olhe para mim.’” Ela frequentemente veste preto no tapete vermelho. Seu estilo é bastante gótico? “Eu diria mais barroco,” ela me corrige. “Eu gosto de ter minha armadura quando entro no tapete vermelho – Eu me sinto muito vulnerável caso contrário. Eu gosto de um olho esfumado ou um lábio vermelho. Eu apenas quero estar em uma fantasia que irá me proteger.” Será que ela tende a escolher uma gola alta à qualquer coisa muito reveladora? “Ah, sim. Eu não me sinto confortável com peitos.”

Na verdade, diz Green, a experiência completa do tapete vermelho é inconfortável. “Anos atrás, meu publicista me mostrou um artigo dizendo que eu era a atriz mais mal vestida do mundo. Se você é muito original, como Helena Bonham Carter usando apenas um dos sapatos vermelho…eu adoro ela por fazer aquilo. Mas as pessoas ficam: ‘Oh my gahhhd!’” ela diz, afetando um sotaque americano estridente. “Mesmo agora, eu não iria [parecendo] tão original. É uma tão grande confusão ser eu. Mas ter que permanecer segura é chato. Chato pra c*****. ‘O que você está vestindo?’ é tudo que [repórteres] se importam, ao invés de se importarem com seu filme. Não é muito inteligente.” Talvez agora não seja a melhor hora para perguntar a ela suas questões de moda. Ela ri. “Não, mas não é a mesma coisa.” Okay, então: grifes favoritas? “Haider Ackermann, Saint Laurent, Topshop.” Mas ela não usaria “esses tops que mostram a barriga. Ou mini saias. Não sou corajosa o bastante.”

A relutância de Green em ser uma femme fatale pode explicar seu entusiasmo pelo seu papel no novo filme de Tim Burton, Lar das Crianças Peculiares (Miss Peregrine’s Home for Peculiar Children). Enquanto algumas atrizes podem se recusar a interpretar o personagem de mãe (okay, um hibrido de mãe e pássaro – este é um filme do Tim Burton, acima de tudo), Green saboreou o papel. “Foi legal não ser o interesse amoroso. Interpretar a guardiã daquelas crianças, que arriscaria sua vida para protegê-las – Eu amo a ideia de que aquelas crianças são a sua vida. Tim chama ela de Assustadora Poppins,” ela ri, e então encolhe os ombros. “Eu gosto de coisas densas. Eu não sou boa no tipo mediano. É legal você dar seu coração e sua alma em algo. É muito jubilante.”

Talvez uma atriz tão intensa quanto ela vê o ato de atuar menos como um trabalho, e mais como uma catarse? “Isso definitivamente não é um trabalho,” ela diz. “Eu amo ter tempo para realmente dissecar o personagem. Eu sou tipo uma geek nesse caso.” Ela claramente gosta mais do elemento nerd que o elemento efusivo. “Mesmo os atores que eu sou amiga, não são atores comuns. É um emprego tão narcisista. Ambição tipo me enoja; torna-se bastante assustador nas pessoas.” A parte mais difícil na sua carreira, ela diz, é a rejeição. “Você é sexy? Você não é sexy? É difícil permanecer forte, porque como ator você tem que ser aberto, ser vulnerável. Mas existe tanta b*****, tantos egos. Se você não tem feito isso por uma boa quantidade de anos, é bem assustador. Eu não diria que estou confortável em envelhecer como atriz.

“Existe uma pressão. É duro.” Ela já lutou contra a ansiedade? “Totalmente, sim,” ela diz. “Quanto mais velha eu fico, mais eu percebo que as melhores pessoas ao meu redor estão deprimidas. Mas esse é [ a situação] do mundo no momento. Talvez nos sentimos tristes mas não conseguimos achar uma razão especifica. Somos seres sensitivos e absorvemos as vibrações.” Green não confirma se está solteira, mas diz que gosta de “homens que abraçam seu lado feminino”. Ela diria que se dá melhor com mulheres ou homens? “Eu acredito que mulheres.” Dito isso, ela diz que não suporta a ideia de um 007 feminino: “Eu acredito que Bond deva permanecer um homem. Claro que você pode ter um filme sobre uma espiã feminina, mas Bond tem de ser um homem.” Quanto a quem será o próximo, ela não tem mais ideia de que qualquer um de nós. Entretanto, mesmo se ela soubesse, ela não diria. A habilidade de Eva Green em ser discreta é um dos seus grandes charmes, e isso não é pouca coisa.

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Eva Green e Emmanuelle Seignar irão estrelar novo filme de Roman Polansky e Oliver Assayas intitulado “True Story”. Trata-se de um thriller psicológico!
O filme em francês terá as gravações iniciadas em novembro, na cidade de Paris.
Sinopse: Uma escritora (Emmanuelle Seignar) tem sua vida e mente em perigo por uma mulher obsessiva (Eva Green).
Atualmente, Eva Green está envolvida com o drama “Euphoria” de Lisa Langseth. O drama sueco começou a ser filmado em 12 de agosto de 2016, e tem estreia prevista para o ano que vem.
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